Um pedacinho do México no meio das Rochosas
Maio 27, 2008
* Por Jordana Viotto

(Enchilada do El Paisa Grill, em Salt Lake City. Foto: JV*)
Pat Lisboa e eu tínhamos acabado de chegar a Salt Lake City para um evento. Eram 11h30 de um sábado e David, o motorista que foi nos buscar no aeroporto, disse que estaria à nossa disposição até as 15h, horário do check in do hotel. Depois de uma passadinha básica pelo Best Buy e pelo Wallgreen`s, decidimos comer.
David nos perguntou o que queríamos. Decidimos que depois de tanta comida de avião, era hora de botar um pouco de tempero na história e mandar comida mexicana.
Ele explicou que conhecia dois lugares - um mais arrumadinho, mais cara de americano, e outro bem simples e bem típico. Óbvio que ficamos com a segunda opção.

(Molcajete: carne, frango e camarão com molho de tomates. Foto: JV*)
Quando chegamos lá, a impressão é de que, por alguma mágica, não estávamos no meio das Montanhas Rochosas, mas nos arredores da Cidade do México. As paredes eram todas amarelas, com alguns detalhes em vermelho e verde e bandeirinhas do México aqui e ali. Os clientes e garçons eram todos mexicanos e o idioma oficial, claro, era o espanhol.
De cara, pedi uma enchilada de frango, que veio preciosamente temperada e servida com molho de creme de leite e queijo. Também dividimos a especialidade da casa - o Molcajete (mistura de carne assada, frango e camarão com molho de tomate).
Para encarar toda essa comilança, pedimos uma michelada (mistura de cerveja, gelo, limão e especiarias), mas ela estava mais picante do que esperávamos e acabamos não conseguindo tomar. Daí resolvi mandar uma água de horchata, bebida feita com água de arroz, açúcar, canela e gelo. Se você gosta de arroz doce, deve aprovar.
Não preciso dizer que saímos de lá quase rolando de tanto comer e prontas para uma bela siesta!
El Paisa Grill - 2126 South 3200 W - South Lake City, Utah (EUA). Tel: (866) 257-1030.
*Jordana Viotto é jornalista de tecnologia, cultura e sempre conta ao Braun Café suas descobertas sobre as delícias da vida.
Creme Brûlée em Paris
Março 19, 2008

*Por Fabi MonteCreme Brûlée (acabo de descobrir que se escreve assim) sempre foi uma de minhas sobremesas favoritas. O sabor é leve, suave e, ao mesmo tempo, tem personalidade. Acho que ela vem da crosta de açúcar queimado que se quebra quando você enfia a colher, revelando aquele creme amarelo clariiiinho.
Sempre que vou a um restaurante e o creminho danado aparece no cardápio, é minha escolha como sobremesa.
Tive o privilégio de experimentar em Paris um creme brûlée muito gostoso. Não sei se é o melhor de Paris, mas para mim teve – e sempre terá – um gostinho especial.

Estava vagando pela cidade, nos arredores do Jardim de Luxemburgo, e escolhi, aleatoriamente, um bistrô para almoçar. Com apenas dez mesas, além de aconchegante, o restaurante Les Fontaines é bem localizado - fica exatamente em frente ao Panthéon. Escolhi uma mesa de frente para a porta, de propósito, para ver a cidade passar.Como todo bom turista, pedi um “Menu du jour” e uma taça de vinho. O menu era uma saladinha de folhas verdes e pão, muito pão. Como prato principal, uma massa bem saborosa, acompanhada de um delicioso filé.
A sobremesa não aparecia no menu - à escolha do Chef. E, para minha alegria, era Creme Brûlée. Ponto para os franceses! Gastei 18 euros e voltei a vagar, feliz, pelas ruas de Paris.
Les Fontaines - 9 Rue Soufflot 75005 - Paris.
*Fabiana Monte é jornalista, curiosa, gulosa e tem muita sorte. Adora comer e não sabe o que é engordar. Adora creme brulée e, sem saber, escolheu o lugar certo em Paris.
Dicas
Que tal viajar para sua cozinha e preparar um Creme Brulée? Encontrei uma receita bacana do blog Tomato e Potato.
Uma única vez (que preguiçosa…) preparei um creme brulée no curso do Renato Frias, dono do Chef Du Jour, na Vila Olímpia, em São Paulo. Veja aqui as preciosas dicas do chef:
Após bater os ovos com o açúcar e a baunilha, deixe descansar por 30 minutos para eliminar a espuma. Só depois esquente o creme de leite;
Coloque papel absorvente no fundo da assadeira e água antes de colocar os recipientes com o creme no forno em banho-maria;
Se você não tem um maçarico, pode esquentar uma colher no fogo para queimar o açúcar e fazer seu brulée.
Finalmente, o prato original
Março 12, 2008
Por Luiz Minervino*

Como disse num outro toast nesse delicioso blog, sou seguidor dos pratos da Boa Lembrança. Inclusive tenho dois deles da confraria original, que surgiu na Itália (um presente do meu cunhado e outro de meu sogro).
No começo de fevereiro fui a Europa para participar de uma reunião de trabalho, mais precisamente em Praga – República Tcheca, com escala em Milão.
Tão logo soube desse escala, corri ao site da Buon Ricordo para procurar quais restaurantes eu poderia ir. Acabei escolhendo a Trattoria Masuelli San Marco, inaugurada em 1921 e sob o comando da mesma família desde então, que oferecia um prato totalmente local – o risoto de açafrão com vitela a milanesa. Essa tinha de ser a minha escolha!

Cheguei no restaurante por volta das 21hs - casa cheia - e me sentei numa mesa bem perto da entrada. Pude conferir o entra e sai e como os donos da casa tratam seus clientes. Fiquei feliz ao ver que muitas pessoas que chegavam eram saudadas por seus nomes e carinhosamente recebidas. Senti que tinha feito uma boa escolha.
Comecei minha refeição com uma deliciosa massa da casa, um Tagliolini della casa. Massa cozida rigorosamente al dente, com pouco molho de tomate e muito gosto de carne. Estava maravilhoso.
Como segundo prato pedi o risoto de açafrão com a milanesa de vitela. Sou meio chato para comer risoto em restaurante - modestamente, é o prato que melhor cozinho – mas tive uma grata surpresa.

Dava para perceber que o risoto de açafrão não era apenas um corante amarelo. Uma cremosidade difícil de encontrar. Os filés também me surpreende, pois veio acompanhada por um recipiente de Flor de Sal, que dava um sabor totalmente diferente à carne.
O vinho da casa acompanhou a refeição e a água nacional também (o bom de ir para a Itália é tomar San Pellegrino com preço de água – em Euros é claro).
No total, foram 45 euros muito bem gastos. E ainda trouxe o prato para casa!

Só mais uma coisa: a comida de bordo da Alitália, para vôos curtos (Praga – Milão) também foi sensacional: queijo Parmegiano Reggiano, Presunto Crú, mussarela de búfala, mini pizza e tiramissú. Não dá para querer nada mais.
*Luiz Minervino é economista e adorador da alta gastronomia. Poucos minutos após conhecer o Braun Café nos presenteou com este delicioso toast. Ele já tem 44 pratos da Boa Lembrança! E eu que achava que meus nove já eram demais…
Burritos no capricho
Novembro 21, 2007
Por Jordana Viotto*

Acho que, como todo mundo que gosta de comer, aprecio não só a comida, mas o ambiente. Gosto de locais convidativos, calmos e charmosos.
Tive a chance de conhecer um lugarzinho assim numa cidade chamada Puerto Morelos, um pouco ao sul de Cancun, no México. É quase um vilarejo bstante apreciado por mergulhadores do mundo todo (na minha curta estada de três horas em Puerto Morellos, vi três escolas de mergulho).
O tal lugarzinho se chama Mama`s Bakery. É um restaurante que serve café da manhã, incluindo alguns pratos típicos mexicanos.
Provei o burrito verde em tortilla de farinha com ovos, molho verde, creme de leite, tomate e abacate. Leve no sal e na pimenta, mas com “sustança”. Um belo “desajuno” feito por uma norte-americana do Kansas que se cansou (ahn? ahn?) de sua terra-natal e foi embora para o sul, junto com as andorinhas do Pica-Pau. Perdi o endereço, mas se alguém for a Puerto Morelos, é só perguntar onde fica o Mama`s Bakery. O local é conhecido pelos moradores e a cidade é um ovo.
*Jordana Viotto é jornalista de tecnologia, cultura e adora descobrir as delícias da vida.
Uma visita à culinária Maia
Novembro 20, 2007
Por Jordana Viotto*

A aparência não é nada convidativa, mas o “Pavo en Relleno Negro” (Peru em recheio escuro) do Yaxche tem um sabor sem igual. As especiarias utilizadas neste prato típico da cozinha da Península de Yucatán (México) brincam com o paladar, variando do picante ao levemente adocicado.

O Yaxche é um restaurante que trabalha só com pratos regionais em um ambiente sofisticado. Fica em Playa del Carmen é uma cidadezinha encrustada em um pedaço do litoral caribenho do México, há quarenta minutos de Cancun. É um local charmoso, mas que, por incrível que pareça, oferece poucas opções de estabelecimentos mexicanos.
Só “a nível de” curiosidade, Yaxche é a árvore sagrada da vida dos maias. O site do restaurante traz algumas receitas do cardápio. Infelizmente não tem a do peru de recheio escuro.
*Jordana Viotto é jornalista de tecnologia, cultura e adora descobrir as delícias da vida.
Estado Alfa… jor
Novembro 6, 2007
No último final de semana descobri que há muito mais do que Havannas na terra do tango. Ganhei um mimo dos amigos Henrique e Renata: alfajores Abuela Goye. Grave este nome.
No site, além de ficar com água na boca, descobri que a ”Abuela Goye” veio diretamente da terra dos chocolates para fundar, em 1860, o que se conhece como Colônia Suíça, a 25 km de Bariloche. Entre as “delicias” produzidas pela família, há 30 anos na Patagônia Argentina, também estão geléias, bombons, sorvetes, bolos e galletas. ¡Socuerro!
Fiquei literalmente em estado Alfa depois de provar o alfajor coberto de chocolate meio amargo. A versão de chocolate branco só comprovou que a receita é de abuela mesmo - cobertura fina, massa leve e dulce de leche na medida certa.
Temos de convencer alguém a representar a Abuela Goye por aqui. Enquanto isso, bailamos com Havannas ou alfajor da Turma da Mônica (ainda existe?). E se alguém for a Buenos Aires, por favor, traga Abuela na mala.
Kito-Kato
Novembro 5, 2007
Por Henrique Martin*
Visitar mercadinhos em qualquer lugar do mundo é mais que necessário pra fuçar a cultura local (e dar boas risadas com os contrastes). Em Osaka, andando perto do hotel, encontrei várias lojinhas 24 horas. Num deles, tentadoras versões japonesas do KitKat, um dos meus chocolates favoritos em viagem (a versão brasileira mais recente era esquisita). Tinha o tradicional, vermelhinho, e três sabores curiosos para mim: caramel, vanilla beans e um terceiro (acho que era chá verde, fugi dele rapidinho).
Comprei o de caramelo e o de baunilha. Veredito? Se KitKat já é doce pra burro, imagine a versão vanilla. É todo branquinho (sem ser chocolate branco) e doooooce até dizer chega. O caramel cheira melhor e é um pouco menos doce. Valeu a curiosidade, mas prefiro o original. Gostei que o chocolate de quatro barrinhas vem separado em dois pacotes dentro da caixa (dois mais dois) - é para comer menos, né?
*Henrique Martin é jornalista de tecnologia e editor do site Zumo. Recentemente viajou ao Japão, de onde trouxe diversas curiosidades gastronômicas.
Yuzu é pra jacu
Novembro 4, 2007

Por Henrique Martin*
Começando a série de toasts “Henrique asiático”, o primeiro da coisa mais legal que bebi nos últimos tempos: Yuzu. Antes, uma breve introdução ao mundo dos líquidos no Japão: bebe-se muito chá (menos exóticos que na China; os mais comuns são o Oolong e o Verde), muito café gelado (bizarro, mas real, nas variantes puro ou com leite), porém muito pouco qualquer coisa gasosa. Eles são meio que contra coca-cola e bebidas gaseificadas em geral.
Tente achar um mísero restaurante em Tóquio que sirva coca! Nem fast-food de curry indiano vende! Os japinhas olham com cara de ‘que é isso?’. É mais fácil achar Calpis Soda (a com gás) na Liberdade que no Japão (é sério - só vi em uma vending machine e era latinha).
Mas alguns lugares selecionados não têm coca-cola, mas têm Yuzu (ou Yuzu Soda). E é sensacional. Yuzu, em comparações ocidentais, é como se fosse uma Schweppes Citrus melhorada demais, com mais laranja e bem mais amarga (talvez sem a maçã da Citrus). Vem em versões prontas, servidas como refrigerante mesmo, ou preparadas na hora.
Alguns lugares, como o Cafe Moco (delicadamente apelidado de “mocó”), em Akihabara, fazem do modo “roots”: botam uma geléia de laranja e especiarias no fundo do copo, enchem de gelo e de soda limonada. Fica sensacional e vem com uma colherinha de pau para você comer a geléia que ficou lá embaixo.
De qualquer modo, os japoneses mais tradicionais vão estranhar se um ocidental pedir Yuzu - acho que eles acreditam que é algo tão cool pra um gringo beber ou, sei lá, não é coisa pra estrangeiro. Mas vale a pena e você ganha o respeito deles - mais que isso, só se cantar em japonês em um karaokê.
*Henrique Martin é jornalista de tecnologia e editor do site Zumo. Recentemente viajou ao Japão, de onde trouxe diversas curiosidades gastronômicas.
Crazy Town
Agosto 12, 2007

Todo mundo que voltava de Londres me dizia “Você tem de ir a Camden Town!” ou “Você vai pirar em Camden Town!”. Todos estavam certos, mas acho que é impossível não adorar aquele lugar.
Camden Town, aos domingos, é uma piração. De brechós bacanas, a artigos de decoração, móveis e comidas, muitas comidas típicas, você simplesmente quer levar tudo. Felizmente, o limite de bagagem controla sua sanidade. Já o excesso de comidas e cervejas fica por sua conta.
Na área de alimentação, a escolha é difícil. Se você passar entre as barracas de comida tailandesa, por exemplo, e olhar dois segundos a mais eles já vão fazendo seu prato.
Alê, Almeida e eu avaliamos todas as delícias, babamos na travessa de chucrute da barraca alemã, mas ficamos no oriente. Eles foram de frango com gengibre e outras iguarias chinesas e eu me encantei em uma barraca de comida marroquina-hippie e fui de kebab de frango marinado no iogurte, ervas e saladas.
Nunca fiquei tão feliz em comer na escada de um lugar, mesmo porque, pelo que se pode imaginar, não há mesas suficientes e muito menos garçons em um lugar como Camden Town. A comida e a companhia eram ótimas. O que mais você vai querer?
De estômagos devidamente cheios fomos esvaziar os bolsos nos brechós e lojinhas da gigantesca feira. Para comemorar as compras, Fábio Almeida nos levou em um pub no final da rua principal de Camden: The Lock Tavern.
Pausa para a versão do momento: “Won´t you take me to… Camden town…” (FunkyTown, do Lipps Inc.).

Depois de muitas andanças, turismo e fortes emoções na Inglaterra, restando apenas dois dias para deixarmos Londres, era hora de viver como os lonrinos - chegar cedo e mergulhar na terapia do pub. E o local escolhido foi perfeito. Um pub estiloso, com muita gente bacana e animada se divertindo entre o três andares e dois terraços do bar. Não deixe de tomar uma cerveja por lá - se conseguir tomar uma só - e prove o churrasco de hamburguer feito na hora.
Pegamos uma mesa por volta de 17h, bebemos muitos pints, brincamos com o balões de hélio que decoravam a balada rock´n´roll ao vivo e saímos de lá mais de três horas depois, rindo, despreocupados e felizes da vida. É tudo verdade. Você tem de pirar em Camden Town.
The Lock Tavern - 35 Chalk Farm Road, Camden Town - Londres. Tel: 020 7424 9067
Fame
Julho 31, 2007

Imagine-se almoçando no refeitório de uma escola de dança, em Londres, cheio de jovens com seus sandubas e iogurtes naturais, batendo papo e alongando as pernas nas cadeiras.
O seriado “Fame”, da década de 80, foi a primeira imagem que me veio à mente ao entrar no restaurante da academia The Place, pertinho da estação Kings Cross, onde estávamos hospedados.
O responsável por esse ‘achado’ de Londres foi Marcos Sêmola, querido colunista veterano do IDG Now! e excelente anfitrião. Nada melhor do que deixar a chuvinha chata da cidade lá fora e almoçar um prato de fuzilli ao molho branco - simples e bem feito - em ótima companhia.
Durante o almoço, Sêmola contou que adora ir ao The Place para dar uma espairecida. Há três anos em Londres, até pão de queijo e feijoada ele já sabe onde encontrar. Outro dia escreveu para contar sua mais nova descoberta: Açaí.
“O lugar se chama Neal’s Yard Salad Bar e fica um lugar bem gostoso no meio de Convent Garden. Estão estabelecidos desde 1982 e são especializados em comida vegetariana. Mas o bom mesmo foi me deparar com aquele tigela de açaí com banana e granola. Claro que não se compara ao mesmo prato feito belo Bibi Sucos, mas estando tão longe do Rio, não há nada melhor!”, contou.
Com preços acessíveis e opções saudáveis, o “Fame” rendeu replay para um café-da-manhã com Alê e Valim. Eles gostaram, mas sentiram falta das bailarinas. O agito rola no almoço mesmo.
The Place - 17, Duke´s Road - Londres.



