Bar da cervejaria artesanal Baladin, em Milão

Bar da cervejaria artesanal Baladin, em Milão

Em 14 dias de aventuras pelo Norte da Itália, você come muita massa e bebe muito vinho. É sensacional, claro. Mas na última noite, depois de pirar na megaloja do Eataly, em Milão, e pegar a maior chuva da viagem, dei de cara com um bar da cervejaria Baladin e aí foi só alegria.

Do cardápio, mezzo italiano mezzo alemão, a escolha foi uma porção de apetitosas salsichas variadas (a de cordeiro estava sensacional) com cebola roxa caramelizada e fritas crocantes pra acompanhar. Harmonia perfeita com a Isaac, a cerveja da qual eu não queria me despedir. Depois, descobri que ela é vendida em São Paulo. É cara, mas dá pra matar a saudade, de vez em quando.

Favorita: Isaac, a cerveja de trigo frutada (Witbier) da Baladin

Favorita: Isaac, a cerveja de trigo frutada (Witbier) da Baladin

No dia seguinte, de malas prontas para ir embora, ainda rolou um passeio na catedral de Milão (belíssimo) e o almoço de despedida no Rifugio del Ghiottone, um restaurante simples e honesto, que recebe os trabalhadores das redondezas. O dono, um senhor alto e simpático, circula pelas mesas conversando com os fregueses e aparece em milhares de fotos enquadradas nas paredes com clientes ilustres, aparentemente famosos locais, que visitam seu restaurante.

Porção de salsichas  mistas com cebola roxa caramelizada e fritas, no Pub da cervejaria Baladin

Porção de salsichas mistas com cebola roxa caramelizada e fritas, no Pub da cervejaria Baladin

Com um menu executivo completo (entrada, principal, sobremesa e café) por 13 euros, o restaurante atrai as pessoas que trabalham na área. E enquanto eu esperava o meu penne com aspargos e tomates (leve e delicioso), observei um comportamento interessante: nas duas mesas com grupos de quatro e cinco pessoas, ao meu lado, nada de celular. Era o intervalo de trabalho e nenhum aparelho estava visível sobre a mesa. Ninguém largou o talher e o bate-papo nem para dar uma espiadinha em algum “whatsapp” da vida.

Bom… guardei meu aparelho na hora e me concentrei no prato, um levissimo penne com molho de aspargos e tomates, e saí de lá levando mais uma importante lição dos italianos sobre apreciar la dolce vita.

Baladin Milano
Via Solferino, 56 (Porta Nuova) – Milão, Itália

Eataly
Piazza XXV Aprile, 10 – Milão, Itália

Il Rifugio del Ghiottone
Viale Monte Grappa, 2 – Milão, Itália

Cozinha dos sonhos em um antigo edifício no bairro de Porta Palazzo, em Torino

Cozinha dos sonhos em um antigo edifício no bairro de Porta Palazzo, em Torino

O apartamento mais legal que encontramos pelo Air BnB na viagem à Itália foi o da querida Valentina, na suntuosa Torino. Em um prédio bem antigo, que deve ter uns 200 anos, ela reformou todo o apê com estilo, preservando um belo ladrilho e arcos de tijolos originais. A sala, sem TV, tinha muitos CDs, livros e uma moto antiga, tipo Harley, como decoração.

Carbonara "tradizionale" num dia chuvoso

Carbonara “tradizionale” na Itália

Na cozinha toda equipada, encontrei diversas receitas com ovos penduradas entre os utensílios e uma mesa para pensar na vida. O quadro em frente, trazia a reflexão em um cartãozinho vermelho: “Pelo menos uma hora por dia, você precisa ser feliz”. Segui o conselho e preparei minha massa favorita: spaghetti à carbonara, com ovos e pancetta comprados no mercadinho do bairro.

Jantar depois da visita ao Eataly de Torino

Preparando o jantar depois da visita ao Eataly de Torino

Logo ao lado do edifício estava o Mercato di Porta Palazzo, um misto de feira da pechincha e feira livre enorme, onde vi uns cogumelos tão grandes que pareciam enfeites de jardim. Pena que choveu muito, todos os dias, e não deu pra aproveitar muita coisa da área, que era tipo um Brás de Torino.

Dolcetto D'Alba de Treiso, (meia garrafa = 3 euros)

Dolcetto D’Alba de Treiso, (meia garrafa = 3 euros)

Em Torino também fiz minha primeira visita a uma loja da rede Eataly, um supermercado da gastronomia italiana, que deve chegar a São Paulo este ano, com uma loja na região do Itaim. Imagina escolher uma massa nesse lugar? É de enlouquecer.

Abobrinha redonda refogada no azeite com sal. Para finalizar, pimenta moída e parmesão no prato

Abobrinha redonda refogada no azeite com sal. Para finalizar, pimenta moída e parmesão no prato

Depois de pirar no Eataly, fiz um jantar para dois: filé com spaghetti all’arrabbiata, pão caseiro de centeio e vinhos do Piemonte para acompanhar (meia garrafa de Gavi, delicioso branco da região, e meia de Dolcetto D’Alba, da cidade de Treiso). Também teve entrada com abobrinha redonda, que foi refogada no azeite e servida com parmesão regiano e pimenta moída na hora. Ficou show.

Slow Food

Sede do movimento Slow Food, na pequena cidade de Bra

Na pequena cidade de Bra, onde nasceu o movimento Slow Food

Aproveitamos a viagem para conhecer a cidade de Bra, na província de Cuneo, onde nasceu o movimento Slow Food. E foi lá, na modesta Osteria Del Chiosco ao lado da estação de trem, que provei a melhor massa da viagem: o ravioli “plin”.

O melhor da viagem: ravioli 'plin' com manteiga e salvia, na Osteria del Chiosco, em Bra

O melhor da viagem: ravioli ‘plin’ com manteiga e salvia, na Osteria del Chiosco, em Bra

O dono do café beliscava o braço dizendo: “Plin! Assim… entende?”. Cheguei a achar que era recheado com pele ou pururuca, mas o belisco é só um jeito de fechar o ravioli com recheio de vitelo, servido na manteiga com sálvia.

Simples, perfeito e barato (7 euros), com uma taça de vinho tinto, o “plin” foi uma beliscada pra lembrar daquela mensagem da cozinha da Valentina. Feliz 2015!

Mensagem na cozinha do apartamento de Torino

Na cozinha do apartamento de Torino, um conselho para a vida

Eataly
Via Nizza, 230/14, 10126 – Torino, Itália
Tel.: +39 011 1950 6801

L’Osteria del Chiosco
Piazza Roma, 35 – Bra, Itália
Tel.: +39 0172 41 2181

Mercato di Porta Palazzo
Piazza della Repubblica, 10.152 – Torino, Itália

Via Pescherie Vecchie, uma das ruas do antigo mercado de Bologna

Via Pescherie Vecchie, uma das ruas do antigo mercado de Bologna

Quando a chuva deu uma trégua fomos passear pelo centro histórico de Bologna, na Piazza del Netuno, na Biblioteca Salaborsa (lugar belíssimo onde se podem ver escavações de ruínas do século VII a.C. pelo piso de vidro) e então resolvemos espiar uma rua estreita do outro lado praça: “Via Pescherie Vecchie”.

Rua reúne bares de vinho, quitandas e empórios com tudo o que a Emilia Romagna tem a oferecer

Rua reúne bares de vinho, quitandas e empórios com tudo o que a Emilia Romagna tem a oferecer

O cenário era encantador. Bancas de verduras e legumes coloridos de um lado, mesinhas com taças de vinho e antepastos do outro e pessoas circulando em uma sequência de antigos empórios e salumerias com o melhor que a Emilia Romagna tem a oferecer. Um verdadeiro museu gastronômico a céu aberto para encher os olhos e a boca d’agua.

Pescheria Del Pavaglione é uma das bancas do Mercato di Mezzo, que foi reaberto pela rede Eataly em abril

Pescheria Del Pavaglione no Mercato di Mezzo, que foi reaberto pela rede Eataly em abril

É nesta rua que se encontra o Mercato di Mezzo, o mais antigo da cidade. O galpão da era medieval que fazia parte do antigo mercado de Bologna, foi reformado e reinaugurado pela rede Eataly, em abril deste ano. No primeiro andar você encontra diversos fornecedores de comidinhas, bebidas e guloseimas a preços amigáveis para degustar em mesas comunitárias.

Sanduba de polvo e escarola em pão feito com tinta de lula da Pescheria Del Pavaglione

Sanduba de polvo e escarola em pão feito com tinta de lula da Pescheria Del Pavaglione

Recomendo os petiscos do mar da Pescheria del Pavaglione, onde provei o espetinho de lula com camarão e o sanduba de polvo e escarola em pão preto feito com tinta de lula. Foi lá que descobri a Isaac, da cervejaria artesanal Baladin, e me apaixonei pra sempre.

Cerveja de trigo Isaac, da Baladin. Amor ao primeiro gole.

Isaac, a cerveja artesanal de trigo da Baladin. Amor ao primeiro gole.

Na saída do mercado vale dar uma espiada na vizinha Salumeria Simoni. Dá vontade de ficar lá admirando os salames, mortadelas, prosciuttos e queijos lindamente expostos atrás do balcão da movimentada loja de esquina.

Clientes na fila da Salumeria Simoni. Vale apreciar a paisagem de salames e prosciuttos atrás do balcão

Clientes na fila da Salumeria Simoni. Vale apreciar a paisagem de salames e prosciuttos atrás do balcão

E se quiser comprar algo bem tradicional para fazer na sua cozinha de viagem, prove o tortellini fresco, que você encontra em todos os empórios, mas vale comparar preços. Comprei 250 gramas, para duas pessoas, por 5 euros. Os bolonheses o preparam cozido no caldo de galinha, mas resolvi improvisar uma versão na manteiga com parmesão. Que delícia.

Preciosidades gastronômicas no Mercado delle Erbe, também no centro histórico de Bologna

Preciosidades gastronômicas no Mercado delle Erbe, também no centro histórico de Bologna

Outra dica para quem é chegado nas compras gastronômicas é o Mercato delle Erbe, que também é próximo à Piazza Netuno. Vale caminhar tranquilamente por entre as bancas de frutas e verduras, cercadas de preciosidades à venda nos empórios.

Mercato di Mezzo
Via Pescherie Vecchie, 14 – Bologna, Itália
+39 051 227798
www.facebook.com/pages/Mercato-di-Mezzo/664060596993131

Mercato delle Erbe
Via Ugo Bassi, 23 – Bologna, Itália
+39 051 230186
www.mercatodelleerbe.it/

Salumeria Simoni
Via Drapperie, 5/2a – Bologna, Itália
http://www.salumeriasimoni.it/

"Jantar Secreto": cozinha autêntica, sem frescuras, com petisco, entrada, principal e sobremesa harmonizados com cervejas especiais.

“Jantar Secreto”: cozinha autêntica, na sala de estar,  harmonizada com cervejas especiais.

Imagine que você resolveu sair para jantar à dois, assim, sem reservar, em um restaurante que está bombando na cidade, uma quinta-feira chuvosa depois de um temporal daqueles. E depois do mau-humor da espera, do vinho e da comida talvez nem tão incrível assim, chega a conta nada romântica. Pavor? Rebobine…

Agora você está na porta de uma casa na Aclimação. O endereço foi revelado na noite anterior. Você não sabe o que vai comer, beber ou quem vai sentar-se ao seu lado para te acompanhar na aventura. Na sala de estar, uma charmosa mesa à luz de velas te espera para revelar deliciosos sabores em um menu completo e autêntico, de “memórias gustativas”, cuidadosamente harmonizado com cervejas importadas. O cenário melhorou né? Então bem-vindo ao “Jantar Secreto”.

Canapés de linguiça Blumenau com pepino, mostarda escura e cebolinha em pão de milho

Canapés de linguiça Blumenau com mostarda escura, pepino e cebolinha em pão de milho

Naquela quinta-feira estávamos em cinco. Eu, um casal de amigos do coração, e outro jovem e simpático casal, que ficou ouvindo todas as nossas histórias de viagens pela Itália.

A querida sommelier, Larissa Januário, deixou todos à vontade com sua simpatia e espontaneidade enquanto nos apresentava a primeira cerveja: uma Ballast Point Pale Ale dourada e aromática, feita em San Diego (EUA). Cozinheira de mão cheia, Larissa veio “du Goiás”, ama pequi e também sabe fazer cerveja, mas não quer se arriscar a servir suas criações. “Se alguém disser que não gostou da minha cerveja, não vou suportar”, confessou dando risada.

Pale Ale, da Ballast Point, para acompanhar os petiscos

Pale Ale, da Ballast Point, para acompanhar os petiscos

Começamos com um petisco alemão: canapés de linguiça Blumenau fresca com mostarda escura, uma fina fatia de pepino e cebolinhas para refrescar, em pão de milho torradinho. O chef, Gustavo Rigueiral, apaixonado por novos sabores e ingredientes frescos, contou que a ideia surgiu com a Larissa durante um jogo da Copa. O resultado do jogo com a Alemanha a gente não comenta, mas o petisco era saboroso e leve. E quando faltava aquele último canapé no prato, naquele momento “vai que é tua”, veio uma segunda rodada. Um refil de alegria.

A entrada e sua cerveja acompanhante foram um dos pontos altos do jantar, na minha opinião. Lá estava eu falando da cervejaria Baladin, pela qual me apaixonei na Itália, quando Larissa sai da cozinha com uma garrafa de Baladin Wayan nas mãos. “Não acredito!”, exclamei. Depois de provar a cerveja artesanal com especiarias fiquei mais emocionada ainda.

O chef Gustavo explicando a entrada incrível do jantar e a sommelier Larissa que me surpreendeu com a  cerveja italiana Baladin Wayan

O chef Gustavo explicando a entrada incrível do jantar e a sommelier Larissa que me surpreendeu com a cerveja italiana Baladin Wayan

Da memória de infância, em Santos, e do cuscus paulista da esposa, Gustavo tirou um casamento de casquinha de siri e cuscus cremoso com brotinhos de coentro e vinagrete de cebola roxa com pimenta biquinho. Era pra comer de colher, literalmente. O ácido e crocante da cebola mesclado à suavidade do siri no cremoso cuscus-casquinha, com brotinhos delicados por cima eram tudo de bom. Equilibrado, reconfortante e perfeito com a explosão de sabores da Wayan.

No prato principal, mais revelações. Já ouviu falar de “flat iron”? Pouca gente conhece esse corte dianteiro do boi porque que a maioria dos açougues não oferece, mas vale procurar em casas especializadas (o Paladar escreveu sobre o tema em outubro. Veja aqui). O prato veio embalado pela floral Mermaid’s Red, red ale californiana da Coronado Brewing.

Entrada triunfal: casamento de casquinha de siri e cuscus paulista com vinagrete de cebola roxa, pimenta biquinho e brotos de coentro

Entrada triunfal: casamento de casquinha de siri e cuscus paulista com vinagrete de cebola roxa, pimenta biquinho e brotos de coentro

Para acompanhar o filé bem macio e de sabor marcante, foi servido um leve purê de milho com folhinhas de cambuquira e um molho com pequi. E aí o Gustavo revelou que torcia o nariz para o fruto e chegava a sair de casa quando a Larissa prepara algum prato com o ingrediente. Mas um belo dia, o chef descobriu que pequi vai bem com ingredientes lácteos e aí surgiu uma nova chance para o pequi. A gente adorou experimentar. Não sobrou um pedacinho de filé no prato.

A red ale californiana Red Mermaid's acompanhando o "iron flat", um filé especial com purê de milho e molho de pequi

A red ale californiana Red Mermaid’s acompanhando o “iron flat”, um filé especial com purê de milho e molho de pequi

Por fim, quando você acha que já descobriu tudo do jantar secreto, vem a sobremesa. Primeiro, todos recebem marmitinhas de alumínio fechadas e suas taças são servidas com a trappiste Gregorius, escura e potente (9,8% de grau alcóolico). E então o chef dá “ok” para abrirmos as marmitas e descobrirmos a rabanada de brioche, sua versão da memória natalina, com calda de creme e cumaru, a baunilha da Amazônia. Enquanto servia a calda em um bule, Gustavo falava da manteiga de pistache, que você vai descobrindo quando passa a colher no fundo da marmita. E a cerveja dos monges só intensifica os sabores. O resultado é divino e você não quer que acabe.

Sobremesa na marmita: Rabanada de brioche com calda de cumaru sobre manteiga de pistache.

Sobremesa na marmita: Rabanada de brioche com calda de cumaru sobre manteiga de pistache.

Aproveito para revelar que já conheço dos anfitriões há um bom tempo. A Larissa, das coberturas de tecnologia e depois no mundo dos blogueiros. Ela com o Sem Medida, que virou um espaço on-line de gastronomia, e depois o Gustavo com o Chef-à-Porter, nome de sua empresa de catering, tortas e pães. Tempos depois, a gente se encontrou na rua e descobri que eles tinham se mudado para o meu prédio. Adorava subir no nono andar pra ficar batendo papo com esses vizinhos. Era raro sair de lá sem uma marmitinha.

Quando soube do “Jantar Secreto”, que já teve 26 edições neste ano de estreia, já vibrei com a ideia. E ainda tive a felicidade de conhecer a cozinha autoral do Gustavo e o lado sommelier da Lara com os amigos Alê e Fabi, que também conhecem o casal de longa data. Sim. O mundo é um ovo de codorna bem temperado.

A experiência toda, com harmonização de cervejas, custa R$ 130. Sem as cervejas sai por R$ 90. As reservas são feitas pela plataforma Food Pass em algumas datas por mês (fique de olho). Se preferir levar vinho, a rolha não é cobrada, e se tiver restrições alimentares, o chef adapta o menu secreto para você. Duvido que, depois de tudo isso, você queira volta à cena do primeiro parágrafo.

O inesquecível ragù alla bolognese da Dona Edda

O inesquecível ragù alla bolognese da Dona Edda

Quando cheguei em Bologna, a primeira coisa que eu queria saber era onde provar um bom ragù alla bolognese. Foi exatamente o que perguntei à Dona Edda, a simpática senhora italiana proprietária da casinha onde ficamos em Bologna. E ela respondeu de pronto: “O meu! Eu faço! Vocês também gostam de molho de prosciutto e cippolla? Vou trazer mais tarde para vocês”. Fiquei meio sem saber o que dizer. Achei que não tinha entendido direito, mas era isso mesmo. Eu ia experimentar os verdadeiros molho da mamma.

Porção de tigelle quentinho e quejo cottage

Porção de tigelle quentinho e quejo cottage na Osteria dell`Orsa

Naquela noite, acabamos indo à Osteria Dell’Orsa, uma antiga taberna no centro histórico, onde circulam turistas e estudantes da universidade mais antiga do mundo. Chegamos cedo (eles não aceitam reservas), famintos e abrimos os trabalhos da cozinha, que oferece pratos quentes e sanduíches com ótimos preços.

Ragù alla bolognese da Osteria dell`Orsa

Ragù alla bolognese da Osteria dell`Orsa

Pedimos um bom tinto da casa e uma porção deliciosa de queijo tipo cottage e tigelle, pãezinhos redondos quentinhos tradicionais da Emilia Romagna. Na sequência, um belo prato de tagliarini com o famoso ragù. O molho bem consistente e saboroso já vem misturado à massa caseira, tipo macarronada. Alegria.

Voltamos para casa felizes da vida, sem saber que o melhor estava por vir. Na porta, a Dona Edda deixou uma sacola com a nossa “marmitinha”: um pote de ragu à bolognesa, outro com molho de prosciutto, uma Tupperware grande cheia de tagliarini fresco e um potinho de queijo ralado. É para amar essa pessoa per sempre.

Molho "secreto" de presunto cru, cebola e tomatinhos

Molho “secreto” de presunto cru, cebola e tomatinhos

Nem preciso dizer que o molho à bolonhesa da Dona Edda era maravilhoso (suave e equilibrado) e muito melhor do que o da osteria, mas a grande surpresa foi o sensacional molho de presunto cru, cebola e tomatinhos. Perfeito com o levíssimo tagliarini fresco. A porção rendeu duas refeições e agradecimentos sem fim para a Dona Edda. Só faltou ela me dar a receita que eu pedi duas vezes, mas imagino que uma italiana que se orgulha de sua comida também prefira guardar alguns segredos.

Osteria dell`Orsa
Via Mentana, 1 – Bologna
Tel.: + 39 051 231 576

Antica Bottega Del Vino, em um beco de Verona. Taça de vinho local e petisco de codorna por 5 euros.

Antica Bottega Del Vino, em Verona. Taça de vinho local e petisco de codorna por 5 euros.

Itália, amore mio. Difícil não se apaixonar por uma terra que cultiva tão bem a tradição de seus produtos e a celebração de seus sabores. Felizmente, três anos depois do amor à primeira visita, o Braun Café fez um giro de 15 dias pelo Norte do país. Nos próximos posts, você encontrará dicas preciosas desta viagem pela gastronomia emocional italiana. Veja mais fotos e dicas no Flickr do Braun Café. Andiamo!

Começamos pela romântica Verona, onde osterias e restaurantes se revelam aos amantes da boa comida entre vielas e becos. Em um deles está a Antica Bottega Del Vino, aberta em 1890 a poucos quarteirões da Casa di Giulieta. A carta (lousa) de vinhos em taça e os petiscos (cichetti) no balcão merecem uma parada. Prove uma apetitosa e picante porção de coxinhas de codorna acompanhada de uma taça de vinho branco Lugana por 5 euros.

Dry Martini clássico e drink molecular com prosecco no Frizzante Lab

Dry Martini clássico e drink molecular com prosecco no Frizzante Lab

Vale esticar o happy hour no Frizzante Lab e se perder na respeitável carta de coquetéis do local, que vai dos dry martinis aos moleculares. Se quiser pegar leve recomendo uma taça de Romeu e Julieta, com prosecco, licor de framboesa e gelo. Aos mais animados, a dica é o “Corpse Reviver #2” com gim, vermute e suco de limão siciliano. Os preços dos drinks (7 euros, em média) também são animadores.

O laboratório rendeu uma segunda visita. Dos moleculares provei um drink ‘lúdico’ de prosecco e ‘pérolas’ de licor que estouravam na boca, primeiro frutadas e depois amargas. Desta vez, além de batatinhas fritas, a casa ofereceu uma porção com salame picante, queijo de cabra e pãezinhos. Adorável.

Risotto de abóbora com gorgonzola do simpático Tre RisottiRisotto de abóbora com gorgonzola do simpático Tre Risotti

Risotto de abóbora com gorgonzola do simpático Tre Risotti

Para o jantar, a duas quadras do Frizzante, descobrimos o Tre Risotti, com boa comida local, atendimento simpático e preços acessíveis. Os pratos custavam de 7 a 10 euros, em média, sendo que o mais caro, um mix de carnes grelhadas para uma pessoa (faminta) custava 10 euros.

O Tre Risotti também mereceu bis. Na primeira vez provei uma tradicional tagliata di manzo (filé mignon ao ponto cortado em tiras com parmesão e rúcula fresca), mas o risoto do dia, de abóbora com gorgonzola, como o nome do restaurante já indica, foi o destaque. Simples, delicioso e inesquecível.

Antica Bottega Del Vino – Vicolo Scudo Di Francia, 3 – Verona, Itália Tel.: +39 045 800 4535

Frizzante Lab – Via Marconi, 15 Tel.: +39 388 436 0548

Ristorante Tre Risotti – Via Poloni, 15 – Verona, Itália Tel.: +39 045 594 408

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Pães e frios à italiana

agosto 24, 2014

O surpreendente lombo de porco (lonza) é uma das atrações da loja de frios e pães italianos do Friccò

Lonza (lombo de porco) é uma das atrações da loja de frios e pães italianos do Friccò

Ciabuscolo ou ciavuscolo, uma espécie de pasta de salame tradicionalmente italiana, é uma das especialidades da loja de pães e embutidos do Friccò, na Vila Mariana. Aberto há pouco mais de dois anos, o local anexo ao restaurante oferece produtos feitos exatamente como na Itália. As técnicas foram ensinadas por produtores tradicionais das cidades de Norcia e Gubbio, na Úmbria – terra natal do chef Sauro Scarabotta, que comanda o Friccò há 17 anos – e no Marche, província vizinha da Úmbria e da Toscana.

Vitrine da salumeria e panetteria na Vila Mariana

Vitrine da loja de pães e embutidos anexa ao restaurante, na Vila Mariana

Atrás do balcão de frios, o chef Marcio Kimura explicou em detalhes o que aprendeu com os italianos. A suave mortadela da casa, por exemplo, é feita semanalmente, sem conservantes, e o prosciutto) da casa, segundo ele, “não fica devendo para nenhum [presunto espanhol] Pata Negra”.

Fiquei surpresa também com o lombo de porco (lonza) e sua expressiva capa de gordura. Depois de saborear uma fatia lentamente e sentir o sabor da gordura derretendo na boca, não tive dúvida. Levei meus 100 gramas de lonza cortado bem fininho (R$ 18), 100 gramas ciabúsculo (R$ 10) e um pão italiano tradicional (R$ 10) para celebrar em casa, com um bom tinto. Valeu cada centavo. Perfetto.

O delicioso ciabuscolo no pão italiano macio do Friccò

O delicioso ciabuscolo no pão italiano macio do Friccò

Pão quentinho
Se quiser provar um pão italiano ainda quente, a primeira fornada do Friccò sai por volta de 11h. Além do pão tradicional é possível encontrar o semi-integral (R$ 13) e o recheado (R$ 15). As focaccias variam de R$ 13, nos sabores de sal grosso e alecrim e tomate e orégano, a R$ 15, as especiais.

Panini
O cardápio do restaurante inclui sanduíches tradicionais feitos com os frios e pães da casa como panini de porchetta (barriga de porco), de legumes grelhados e de queijos (R$ 18 cada).

Cursos
O restaurante também oferece cursos de massas, pães e embutidos. Veja o calendário: http://www.fricco.com.br/cursos-e-eventos/agenda/

Friccò
Endereço: Cubatão, 831 – Vila Mariana, São Paulo – SP
Telefone: (11) 5084-0480
Horários: Terça e quarta das 12h às 15h. Quinta e sexta das 12h às 15h e das 19h às 23h. Sábado das 12h às 16h30 e das 19h às 23h. Domingo das 12h às 16h30 (Segunda: fechado).
Cartões: débito

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